Acesso negado: Barreiro enfrenta desafios na saúde mental pós-pandemia

Acesso negado: Barreiro enfrenta desafios na saúde mental pós-pandemia

Falta de profissionais especializados e longo tempo de espera para atendimento psicológico no SUS preocupam moradores e sobrecarregam unidades básicas

A demanda por atendimento em saúde mental na região do Barreiro, em Belo Horizonte, cresceu de forma significativa nos últimos anos, mas a oferta de serviços especializados não acompanhou o ritmo. A percepção geral é de um sistema sobrecarregado, onde o acesso a psicólogos e psiquiatras pela rede pública enfrenta filas extensas, deixando uma parcela da população vulnerável sem o cuidado necessário. O problema, que já existia, foi agravado pelas sequelas emocionais deixadas pela pandemia de Covid-19.

Nas unidades básicas de saúde, a porta de entrada do Sistema Único de Saúde, é comum encontrar relatos de pessoas que buscam ajuda para ansiedade, depressão e crises de pânico. No entanto, a escassez de profissionais de saúde mental lotados nas próprias UBSs faz com que muitos casos sejam medicados temporariamente pelos clínicos gerais, à espera de uma vaga para acompanhamento especializado. Esse intervalo, que pode durar meses, é crítico para a evolução dos quadros.

A região conta com o Centro de Convivência São Paulo, um equipamento de referência que oferece atividades terapêuticas, mas a necessidade de encaminhamento e a capacidade limitada de atendimentos individuais restringem o alcance do serviço. Paralelamente, projetos comunitários e organizações não governamentais tentam suprir parte da lacuna, oferecendo grupos de apoio e escuta, mas esbarram na falta de recursos contínuos. A sobrecarga se reflete também nos prontos-socorros dos hospitais da região, onde casos de crise psiquiátrica nem sempre encontram a estrutura ideal para um acolhimento adequado.

Especialistas apontam que a solução passa por uma maior integração entre as UBSs e os centros especializados, com a implementação de mais programas de saúde mental na atenção primária. Isso permitiria identificar e tratar precocemente os agravos, evitando internações e sofrimento prolongado. Enquanto políticas públicas mais robustas não são efetivadas, a população do Barreiro segue navegando entre a resistência diária e a espera por um atendimento que é, por lei, um direito de todos.

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